As temperaturas estão caindo e, à medida que os termômetros vão
registrando essas mudanças no clima, começam a aumentar a preocupação
dos pais com a grande incidência de casos de doenças relacionadas ao
sistema respiratório. Os pequenos são mais vulneráveis, principalmente
as crianças até os cinco anos de vida. O motivo? Até essa idade, os
mecanismos de defesa contra vírus e bactérias ainda estão se
desenvolvendo no organismo infantil. Por isso, as complicações podem ser
mais graves do que em adultos.
Para garantir a saúde dos seus filhos neste e nos próximos invernos,
Filumena Gomes, pediatra e médica-assistente do Departamento de
Pediatria do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas, e Milena de
Paulis, pediatra do Hospital Israelita Albert Einstein e médica
especializada em emergência, dão dicas importantes e explicam as
particularidades de cada período da infância.
Em qualquer idade
Primeiro, é preciso ter atenção para os cuidados que valem para todos os pequenos:
Manter uma boa hidratação, pois a época é mais seca e o tempo com
baixa umidade irrita as mucosas do corpo, favorecendo as infecções.
Ter uma boa alimentação, garantindo a ingestão dos nutrientes necessários para que o sistema imunológico seja fortalecido.
Lavar as mãos com água e sabão para diminuir o risco de transmissão das infecções respiratórias.
Evitar ambientes mal ventilados ou com aglomerações.
Usar somente analgésicos e antitérmicos em caso de necessidade e não
medicar os pequenos com antibióticos, pois a maioria dos quadros
respiratórios é viral. O ideal é consultar um médico.
Manter a carteira de vacinação em dia.
Cuidados com recém-nascidos até três meses de idade
É a faixa etária de maior risco, pois o sistema imunológico da
criança está em desenvolvimento e ela ainda não recebeu todas as
vacinas. Por isso, principalmente no frio, tente não sair de casa com a
criança.
Se receber visitas, peça às pessoas que não beijem e peguem muito a
criança. Vírus que nós podemos ter (mesmo que não nos façam mal) podem
ser passados para ela e causar doenças por causa de sua imunidade ainda
baixa.
Nessa fase, também podem ser comuns os quadros virais de vias aéreas
inferiores, principalmente a bronquiolite, que, em algumas crianças,
pode ter uma evolução mais grave.
Casas com bebês não devem ficar fechadas. Pelo contrário! Abra as
janelas, mas lembre-se de deixar o pequeno fora da corrente de ar.
Crianças até três meses de vida sentem mais as mudanças de
temperatura. Por isso, fique atenta em momentos como a hora do banho.
Por outro lado, não exagere nos agasalhos porque o suor pode desencadear
alergias na pele. A dica é usar o bom senso.
Três meses a dois anos
O berçário e a escola podem ser focos de infecções. Por isso, o
cuidado deve ser redobrado. O ideal é deixar a criança em casa quando
estiver doente.
A partir dos seis meses, não deixe de dar a vacina de gripe, disponível na rede pública de saúde.
Assim como em bebês menores, não exagere nos agasalhos. Uma muda de roupa a mais é suficiente para manter o corpo aquecido.
Dois a cinco anos
Atenção às peças de frio que ficaram guardadas no armário: lave-as e deixe-as secar em local arejado.
Se o seu filho tem apego a um cobertor ou “paninho”, lave-os regularmente, pois podem acumular vírus e bactérias.
Por falar em cobertor... prefira os de algodão, pois oferecem menos riscos de alergias.
Limpe bem o nariz da criança e faça inalações quando necessário.
Ensine o seu filho a colocar a mão na frente da boca ao tossir e
espirrar (isso evita a transmissão de doenças) e a lavá-las em seguida.
Cinco anos em diante
A partir dessa idade, a criança já foi bastante exposta a vírus e
bactérias. Por isso, tende a ficar menos doente por conta de sua
imunidade.
Os cuidados são mais parecidos aos de um adulto.
A limpeza nasal é importante para evitar complicações como sinusite.
Fonte: Jornal Semanário